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-Não o queres levar?
-Não. Não me sinto confortável a usar uma peça de roupa que dava para alimentar uma pequena aldeia africana durante meses….
-Oh, não sejas parva. Os pretos não comem roupa!

Uma recente conversa com a minha mãe acerca da flora intestinal deixou-me com dúvidas sobre o Universo.

Tomar consciência que tenho uma comunidade complexa formada por centenas de espécies diferentes de microorganismos a viver nos meus intestinos faz-me sentir portadora de um mundo paralelo.

Dentro da minha barriga, eles nascem, crescem, competem entre si e morrem, sempre dependentes uns dos outros para o bom funcionamento da comunidade.

Acho interessante pensar que aquelas bactérias que andam por aí felizes a passear dentro nas minhas entranhas não fazem a MÍNIMA ideia de onde estão!

 

Ok, eu sei que são bactérias, e que não pensam… mas vamos esquecer isso por momentos…

Andam ali os lactobacilos de um lado para o outro a gritar “EL”, “CASEI” e “IMUNITASSE” e mal sabem eles que estão dentro dos intestinos de alguém e basta uma diarreia que vão todos pelo cano abaixo. Literalmente.

 

E eu pergunto-me se nós também não possamos estar na mesma situação. E se o universo for só isso? Se nós não formos mais do que particulazinhas dentro dos intestinos de alguém muito muito grande?

O meu intestino delgado, para as bactérias que vivem lá deve ser um espaço enorme, talvez infinito, pensarão elas, ou pensariam se pudessem pensar.

Então o que me impede de supor que se calhar, o nosso universo, que nos parece tão grande, não é, pois, uma ínfima parte de algo tão maior.

 

Eu sei que é complicado pensar que pode haver algo ainda maior que isto… visto que o Universo tal como o conhecemos já é gigantesco. Mas nós não sabemos se ele é tão grande assim… certo?

Não temos outro com que comparar. Temos a percepção que ele é imenso porque temos em conta a nossa própria medida. Claro que comparado comigo o universo é tão grande que me parece impossível que haja algo maior.

Mas comparado com as bactérias, o meu intestino delgado também é gigantesco e, apesar disso, cabe dentro do meu corpo na perfeição.

Tempos Modernos

Não percebo aqueles anúncios a iogurtes e águas que dizem que reduzem o apetite.

Não é esse o objectivo de todo o tipo de comida?

Apelo Solidário

Estou seriamente preocupada.

Há uns dias para cá que venho a reparar que o José Castelo Branco é presença habitual nos programas da tarde da SIC. Eu acho isto muito sério.
Pensem comigo: O Castelo Branco é rico, podre de rico, a-decompor-de-tal-maneira-que-já-cheira-mal de rico. Casou com uma senhora com bastante dinheiro para gastar em excentricidades mas que infelizmente tem cara feita cera. (Tenho a certeza absoluta que se chegarem lume à cara da Lady Betty aquilo derrete tudo…)
Ora, toda a gente sabe que os programas da tarde e da manhã são pura tortura. Foram feitos para donas de casa e reformados e estão de tal forma cheios de boa disposição e alegria que se tornam insuportáveis à restante população. Por isso ninguém está lá que não seja para ganhar a vida honestamente. Os apresentadores, os músicos, a equipa técnica… pelo-amor-de-deus, até o publico é pago para aplaudir!!!
Ninguém foi para lá porque gosta! Estão lá porque é preciso! Porque têm contas para pagar ao fim do mês!…
Mas o C.B. não precisa do dinheiro. Nem da fama. Ele é o tema preferido de todas as revistas cor-de-rosa e aparece nas capas sempre que há qualquer novidade! (também não é preciso muito para dar nas vistas, basta sair à rua.) 

Concluindo, ele está lá porque gosta!
E isto é assustador! E triste ao mesmo tempo! Seja famoso ou não, há um ser humano a desgraçar a sua vida mesmo à frente dos nossos olhos e ninguém faz nada! Peço encarecidamente às pessoas que divulguem este caso. Vamos todos juntos ajudar este pobre homem* que está a participar em programas da tarde PORQUE GOSTA! 

 Aja piedade. 

*ok, admito que “pobre” e “homem” não são as melhores palavras para me referir ao Castelo Branco…

As Pistas do Bidu

As Pistas da Blue é o melhor programa de televisão que existe. Nem que seja só pelo conceito essencial: Um gajo sozinho à frente de um ecrã vazio, a cantar sem música e com uns passos de dança ridículos à mistura. Basicamente é o Ídolos mas para as crianças.
Eu sei que não tem aquele rapaz de cabelo loiro comprido que não percebia porque é que os júris não o deixavam passar. Mas é muito bom à mesma!   

Diz por aí que o programa já foi muito premiado e é bastante educativo. Tretas. Aqueles que pensam que a Blue é um grande avanço criativo enganam-se. Trata-se claramente um plágio, uma má imitação americana, do primeiro e mais importante personagem do brasileiro Maurício de Sousa, o Bidu (até o nome é parecido, caraças).
Comparem vocês mesmos: 

  

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São ambos simpáticos cães azuis, aberrações da natureza, com um dono que anda sempre com a mesma roupa.
Bidu obviamente vence a Blue em prestigio porque tem a suas próprias histórias de banda desenhada onde trava interessantes diálogos com uma pedra (chamada Dona Pedra). E a Blue só tem um gajo vestido às riscas que canta quando há correio. Para além disso o dono do Bidu é um cientista, que inventa teletransportadores e todo o tipo de engenhocas e elixires que só são possíveis nas bandas desenhadas.
O que é que o Duarte fez além de se refastelar num sofá vermelho a pensar? Foi para os Morangos engatar uma gaja que é beata.
Grande coisa.

 Deve haver alguma coisa em mim que transforma num grande dilema as coisas mais comuns e simples para o resto dos seres humanos. Como escolher um desodorizante…

Já estou farta! Primeiro usava desodorizantes de marcas de perfumes, mas receei que o cheiro do desodorizante perfumado e o do perfume a sério se misturasse e fizessem uma miscelânea esquisita de odores. Por isso, e também incentivada por uma vontade ecológica de não usar desodorizantes de spray, (lá dizia que é amigo do ambiente*, mas nunca fiando…) mudei para o cheiro discreto dos roll-ons da Dove, Rexona e essas marcas assim. Gostava muito deles, mas o destino insiste e em minar a minha felicidade aromática e passado uns meses vi no telejornal que o Alumínio nos desodorizantes aumenta as chances de vir a ter cancro da mama. E não me apetecia mesmo nada ter cancro de mama, (já me basta o cancro na cabeça que terei por causa do consumo desenfreado de pastilhas elásticas com fenilalanina.). Lá foram todos para o lixo. E ao fim de contas apercebi-me que é muito difícil encontrar um desodorizante de jeito que não tenha alumínio na composição.
O que ando a usar agora é o Fá – Caribbean Lemon. Cheira a insecticida. 

Concluindo, não se admirem que eu me canse disto tudo e me resolva a pendurar nos braços dois ambientadores dos que se põe no retrovisor dos carros. Só serei plenamente feliz quando andar por aí com pequenas árvores junto ao corpo a exalar…

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*Isto dos produtos dizerem que são amigos do ambiente é muito hipócrita! Nunca vi um único desodorizante a fazer parte das expedições do GreenPeace, quando muito a levar o lixo ao eco-ponto. Amigos do ambiente uma ova!

Tenho de começar este texto sobre comunicação pelo princípio de tudo…
Na altura da pré-história, por frustração ou desejo de nos conectarmos com alguém, falámos pela primeira vez.
Primeiro arranjámos sons com o intuito básico de sobrevivência, “água”, ou “cuidado com o dinossauro!”. Nomes para coisas concretas. E assim até é fácil. Mas não nos ficámos por aí, e arranjámos nomes para coisas abstractas. Como honra, liberdade, amizade, respeito, amor…
E a questão que foi posta por um filme que vi há uns tempos foi esta:
Como posso eu saber o impacto que tenho noutra pessoa, se disser algo como amor? Digo-o quando interajo com ela, falo o mais claro que consigo.
Mas de que adianta se não sei qual o sentido que lhe vai dar?
Amor entrará pelos seus ouvidos e lembrar-se-á dos momentos em que o sentiu, ou o desejou. E aí vai construir a sua própria definição de amor, baseada no que lhe ensinaram e no que viveu, e vai dizer que sim, que me percebeu. Mas percebeu mesmo?
Como posso eu saber se o sentimento que ponho nas minhas palavras é o mesmo que é entendido? Ou se ele se perdeu, simplesmente porque vivemos todos de maneira diferente? 

Apercebi-me que há muitos destes mal-entendidos com noções abstractas no que toca aos amigos. Não vos acontece, haver gente que vos considera amigos, mas que vocês não se consideram amigos deles, nem acham que eles sejam vossos amigos?
Ora o Hi5, numa das suas sempre magníficas actualizações criou uma coisa muito malvada que considero que será o fim para a nossa sociedade, os tops de amigos hi5. Que é basicamente obrigarem-te a escolher as pessoas que são mais importantes para ti e pô-las em destaque e ordem de importância, para que todos vejam. 

Quem já não deu por si no top de hi5 de alguém que não tem no seu próprio top hi5?
Ora isto acontece por causa do que eu disse ao bocado, as definições de um amigo variam de pessoa para pessoa tendo em conta o tipo de amizades que tiveram durante a vida. É só uma palavra, e há centenas de comportamentos amigáveis por isso para alguns é o pessoal com quem vão para a borga, mas que na realidade nunca tiveram uma conversa mais profunda a não ser sobre futebol, ou aquela pessoa que encontram todos os dias no local de trabalho, ou alguém que vêem poucas vezes mas sempre que se voltam a encontrar dão-se tão bem como se o tempo não tivesse passado, ou é aquele com quem têm sempre alguma coisa para conversar, e mesmo quando não têm, o silêncio não é incomodativo e estranho. 

Eu não sei se isto vos importa, mas o que vai acontecer quando todas estas pessoas que se consideram amigas de gente que não as considera amigas delas virem que a sua amizade não é retribuída? Nem digo que os outros sejam falsos, ou que os sentimentos não sejam mútuos. Mas enquanto um considera que o que há entre eles é uma sólida amizade, o outro acha que é simples camaradagem.  

Não tarda nada vai andar tudo à batatada, a discutirem uns com os outros. Tirar alguém do top hi5 será (se já não é…) declaração oficial de rompimento de relações e vamos ouvir coisas como:

-Porque é que curtiste com a Carla, pá? Não sabias que eu gosto dela?
-Sabia! Mas como eu não estou no teu top hi5, achei que não me devia importar contigo…  

O filme em questão é Waking Life e o texto foi escrito para o fanzine “A Clandestina”

Sente ou Senta

 Para a Sofia 

Não sei.
Sentei para sentir.
Pensando se sentir é ser o que há melhor. Se sentindo sou eu maior ou se sou fantasia de sensação.
Mas quando penso perco o sentido. Será que posso sentir sentada? Se calhar não.
Porque sentir não é sentar para pensar, sentir é sair e ser mais que sombra, mais que ser.

Isto é um Post.

Ainda não sei sobre o que é que vou escrever hoje.
Logo aqui o leitor pode ver a minha coragem e audácia em começar a escrever um post sem a mínima ideia do que vai sair daqui… caros senhores, a isto chama-se improvisação.
Aplicarei portanto a mui nobre técnica de vomitar praqui a primeira coisa acerca da actualidade que me vier à cabeça.
Ora…o que me chocou esta semana foi o novo anúncio dos Mon Cheri da ferrero.
Sim… há um anúncio novo! Eu acho que é novo… nunca tinha visto… mas a falta de mediatismo à volta de uma novidade destas faz-me começar a duvidar de mim própria. Depois de décadas com a mesma discussão do casal em disputa pelo último Mon Cheri, que acaba por ser comido pelo estúpido do amigo que se esqueceu das chaves, aparece-me de repente este novo e fico pasmada!
É que não me lembro sequer de outro anúncio aos Mon Cheries antes daquele… Nos meus dezassete anos de vida* não me consigo recordar do anúncio dos Mon Cheries ser outro!

E isto põe-me a pensar naqueles actores. Imortal a sua luta pelo mon cheri… provavelmente não participaram em nenhum êxito de bilheteira, ou programa de televisão, mas talvez aquele pequeno diálogo tenha sido mais visto que o cruzar de pernas da Sharon Stone, ou ter bem mais sentido que algumas das discussões de casal do O.C. 

A questão que ponho é: quantas outras celebridades anónimas andarão por aí? 

O que me vem logo à mente é um rapaz certamente mais conhecido que o loirinho do Sozinho em Casa, cuja identidade… para mim e para muita boa gente sempre foi um mistério…  Continuar a ler »

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